Astrologia

PRECESSÃO AXIAL: Os 12 Signos e as Constelações

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Por que as constelações, lá no espaço, têm o mesmo nome que os signos do zodíaco?

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Para responder a essa pergunta, vamos voltar um pouco no tempo.

Antigamente, por volta de 4.000-2.000 a.C…

… Os homens já observavam o céu com muita atenção. As constelações, ou seja, os aglomerados de estrelas visíveis sob perspectiva do nosso planeta formavam determinados desenhos na mente daqueles homens; havia uma constelação, por exemplo, cujo desenho da disposição das estrelas lembrava o de um dragão – a essa constelação, foram dados muitos nomes em diferentes civilizações, mas todas elas percebiam a forma semelhante da constelação com um dragão, e todos os nomes coincidiam para esse conceito. O mais conhecido é o nome Draco(Constelação de Draco).

Assim, o céu era repleto de inúmeras estrelas e diversas constelações, que iam sendo observadas e analisadas por muitos estudiosos, de muitíssimas civilizações diferentes. As constelações serviam para compreender mitos que falavam sobre a origem da Humanidade, a relação do homem com o divino, a passagem do tempo… Enfim, muitos conceitos que, infelizmente, não são tão valorizados nos dias de hoje.

Dentre essas muitas constelações (e ressalto que o próprio estudioso Ptolomeu listou mais de 40), havia 12 que eram muito especiais. Isso porque o Sol passava sempre sobre essas constelações, sempre nas mesmas épocas do ano, sempre pelo mesmo intervalo de tempo. Essas constelações permitiam, portanto, que o Sol fosse o ponteiro de um grande relógio universal, que permitia ao homem se localizar em tempo e espaço, fortalecendo assim a sua sensação de união com o Cosmos.

Na matéria O QUE SÃO OS SIGNOS DO ZODÍACO, descobrimos que os signos zodiacais não são a mesma coisa que as constelações zodiacais. Isso é verdade, nos dias de hoje. Mas, um dia, signos zodiacais e constelações zodiacaisforam, sim, a mesma coisa. Havia um alinhamento absoluto.

Quando estávamos no início da Primavera (Hemisfério Sul), por exemplo, o Sol estava passando, pela eclíptica, num determinado trecho do céu. Esse trecho coincidia com a constelação de Libra, lá no Espaço; sob nossa perspectiva, era como se o Sol estivesse caminhando sobre aquela constelação. Para saber em qual signo estava o Sol, bastava olharmos para o alto e vermos, à noite, qual porção do céu o Sol havia ocupado ao longo do dia – então, veríamos a constelação, repleta das suas estrelas. Por isso, os signos do zodíaco levaram exatamente o nome das mesmas constelações pelas quais o Sol estava passando ao longo do ano.

Mas espera…

Acabamos de ver, na outra matéria, que constelações não são a mesma coisa que signos! Qual a explicação para isso?A explicação para isso é um fenômeno físico, chamado PRECESSÃO AXIAL, ou PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS. Como não sou física, não devo me aprofundar nesses conceitos, recomendando, portanto, a leitura de textos específicos sobre isso. Mesmo assim, posso antecipar que a precessão dos equinócios é um fenômeno que ocorre devido à somatória das forças gravitacionais do Sol, da Lua e de outros planetas de nosso Sistema Solar, sobre a Terra.

De certa forma, é como se a Terra, ao longo do tempo, estivesse “tombando”, girando lentamente em sentido diagonal, como um peão. Isso é diferente de seus movimentos de translação e rotação, é outro movimento; um movimento que faz com que nosso planeta passe por um tipo de tombamento, isto é, tenha seu eixo central deslocado conforme o tempo passa. Naturalmente, é um movimento cíclico como todos os outros; ou seja, depois de estar o mais distante possível da posição do eixo “original” (assim considerada pelos antigos), vai começar a fazer o movimento de volta; e depois de voltar, vai começar a ter o eixo deslocado novamente, em infinitos ciclos.

Os antigos perceberam isso. Eles não sabiam que era a Terra girava em torno do Sol – acreditavam que todo o nosso sistema girava em torno da Terra. Dessa forma, para eles, conforme as centenas de anos passavam, pareciam que as estrelas estavam se deslocando no céu! As estrelas “se deslocavam” aproximadamente 1º por ano, mas isso era muito; afinal, ao longo do tempo, as constelações iam mudando vagarosamente de lugar (sob nossa perspectiva), causando uma grande confusão nos estudiosos aqui da Terra.

Eventualmente, descobrimos que não eram as estrelas que se moviam, e sim nós mesmos, devido ao fenômeno da precessão axial. Só que se isso já causava uma grande confusão com relação às outras constelações (que pareciam estar caminhando no céu, não podendo, portanto, ser tão simplesmente localizadas quanto achávamos que poderiam se o tempo passasse), imagine a confusão que isso causou com a eclíptica e o conceito dos signos…

Hoje, devido à precessão axial, os signos zodiacais (que têm a ver com a eclíptica, ou seja, movimento aparente do Sol) já não coincidem com as posições das constelações zodiacais. Afinal, o Sol continua seguindo os mesmos e mesmos trajetos, nas mesmas épocas do ano… Mas as constelações se “moveram” (ops, fomos nós, mas parece que foram elas quando olhamos para o céu)…!

Devido a esse aparente deslocamento das constelações, temos uma diferença de quase 30 graus entre o zodíaco tropical (que considera a eclíptica = signos) e o sideral (baseado nas constelações e muito pouco empregado na astrologia ocidental). Se você nasceu com o Sol em Aquário, isso não quer necessariamente dizer que o Sol estava passando sobre a constelação de Aquário quando você nasceu; o Sol estava em Aquário na eclíptica (signo), mas dependendo do grau, talvez esse Sol estivesse sobre a constelação de capricórnio…

A Astrologia mais empregada no Ocidente é a tropical, ou seja, a que não considera mais as constelações sobre as quais o Sol está passando, mas sim a posição desse Sol ao longo da eclíptica e, portanto, nos trechos referentes aos signos do zodíaco.

Isso não quer dizer que estamos vivendo o apocalipse, que os signos deveriam supostamente coincidir com as constelações… Nada disso! Na verdade, quando os nomes dos signos foram criados, a porção do céu referente a determinada constelação era igual à porção do céu referente ao mesmo signo! Por isso é que os signos ganharam o nome dessas 12 constelações especiais; mas na verdade, o que funcionava para os antigos já era o zodíaco tropical, da rota aparente do Sol, das constelações, da eclíptica! Eles apenas achavam que era o zodíaco das constelações, porque ambos os conceitos coincidiam naquela época! A Astrologia funciona como sempre funcionou; a diferença é que agora sabemos que ela não depende das constelações zodiacais (nem nunca dependeu!), e sim da eclíptica, das estações do ano, do trânsito aparente do Sol sob nossa perspectiva.

Mas então, os astrólogos sempre estão trabalhando com uma Astrologia que é mais relacionada às estações do ano do que às estrelas e constelações? As estrelas e constelações não são usadas?

Calma, calma… Elas também são usadas. Mas de forma separada.

Ao longo de milhares de anos, mesmo conforme fomos descobrindo que o que sentíamos em nossas vidas tinha a ver com as posições do Sol no céu (e não com as constelações em si), prosseguimos estudando, observando, praticando… Portanto, é claro que utilizamos as estrelas e constelações, nós apenas não confundimos elas com os signos do zodíaco!

O estudo das estrelas e constelações tem uma importância gigantesca, e vem cada vez mais sendo empregado por diferentes astrólogos que valorizam esse conhecimento antigo: trata-se do conhecimento das Estrelas Fixas (afinal, elas estão fixas e nós é que fomos nos movendo… Certo?).

Por fim, ambos funcionam: tanto a rota do Sol (e outros planetas) pelo zodíaco tropical (baseado na eclíptica) quanto as estrelas e constelações! O importante nisso tudo é você se lembrar de que signos e constelações são coisas diferentes, e saber que quando você diz “tenho Sol em Áries”, isso não quer dizer que o Sol estava sobre a constelação de Áries, e sim sobre o signo de Áries, que nada mais é do que uma parcela do céu na qual o Sol se encontra no momento do seu nascimento – e nada a ver com a constelação, e sim sobre a posição relativa entre Sol e Terra!

Ufa… Agora sim, tudo fez sentido.

Conforme os anos forem se passando e nós prosseguirmos sentindo os efeitos da precessão axial, cada vez mais graus teremos de separação entre o zodíaco tropical e o sideral, mas não se preocupe; isso não quer dizer que estamos nos desencaixando do Cosmos, quer apenas dizer que estamos passando por mais um dos diversos efeitos físicos, cíclicos, com os quais convivemos. Afinal, quando este ciclo atual terminar (daqui a uns milhares de anos…), estaremos novamente na estaca zero, e se a Humanidade sobreviver até lá, eu prometo: nossos descendentes poderão ver o dia em que os signos localizados na eclíptica irão coincidir novamente com as constelações zodiacais – então, zodíaco tropical e sideral, signos e constelações poderão, novamente, ser vistos como uma coisa só.

Áries:

Touro:

Gêmeos:

CÂNCER:

Leão:

Virgem:

libra:

escorpião:

sagitário:

capricórnio:

aquário:

peixes:

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